Luva robótica para pessoas com insuficiência cardíaca

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças do sistema cardiovascular são a maior causa de morte no mundo. Todavia, uma luva robótica, de cinco milímetros de espessura, desenvolvida por cientistas da Universidade de Harvard (Estados Unidos) promete ajudar a combater essas enfermidades. O aparelho mantém a função do coração em casos de insuficiência […]

Publicado dia 17/05/2017 às 16:00

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças do sistema cardiovascular são a maior causa de morte no mundo. Todavia, uma luva robótica, de cinco milímetros de espessura, desenvolvida por cientistas da Universidade de Harvard (Estados Unidos) promete ajudar a combater essas enfermidades. O aparelho mantém a função do coração em casos de insuficiência e fica externo ao corpo, sem manter contato com o sangue. Dessa forma, evita-se complicações, como a formação de trombos.

O dispositivo é operado hidraulicamente e moldado com silicone termoplástico (um tipo de polímero). A luva contrai em dois sentidos distintos provocando deslocamento de líquido. Assim como o coração, desloca sangue do ventrículo esquerdo para a aorta, o mais calibroso vaso do corpo humano. A força exercida pela luva somada àquela do coração pode fazer a ejeção de sangue retornar ao nível considerado fisiologicamente normal.

O aparelho pode ser personalizado. Caso um paciente tenha o lado esquerdo do coração mais fraco, o produto pode ser ajustado para focar na região. Ademais, a pressão da luva pode ser aumentada ou diminuída dependendo de como a condição do paciente evolui, e funcionar apenas quando necessário, como no caso de uma queda de pressão sanguínea.

TESTES
Até o momento, houve teste in vitro e em suínos. No total, seis porcas, que pesavam entre 60kg e 75 kg, foram utilizadas. Após um ataque cardíaco induzido, o aparelho foi “instalado” no coração de duas delas, permitindo que cientistas coletassem os dados e avaliassem a eficácia do robô maleável. Notou-se que a luva ajudou o coração dos suínos a bombearem sangue novamente.

Após duas horas de “terapia”, os cientistas removeram o aparelho e aproveitaram para investigar se havia algum tipo de rejeição, reação inflamatória e formação de um indesejado tecido cicatricial.

De acordo com Ellen Roche, uma das autoras, os testes em humanos ainda devem demorar. Primeiro é necessário testar o dispositivo por um longo período em animais, para conhecer os efeitos a longo prazo em um organismo vivo. Apenas depois disso, devem começar os primeiros testes em humanos. Essa luva cardíaca pode ter participação importante na cardiologia, já que dispositivos robóticos flexíveis são idealmente adaptados para interagir com tecidos moles.

* Com informações da Folha de São Paulo