Alejandro Luquetti é o novo acadêmico da AGM

Alejandro Luquetti foi empossado na Academia Goiana de Medicina (AGM), passando a ocupar a cadeira de número 2, cujo patrono é o Dr. Edgar Magalhães Gomes e o acadêmico fundador o Dr. Aluízio Ramos de Oliveira, falecido há um ano. Em seu discurso, o novo integrante da AGM fez questão de ressaltar a importância desses […]

Publicado dia 18/03/2017 às 16:04

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

Alejandro Luquetti foi empossado na Academia Goiana de Medicina (AGM), passando a ocupar a cadeira de número 2, cujo patrono é o Dr. Edgar Magalhães Gomes e o acadêmico fundador o Dr. Aluízio Ramos de Oliveira, falecido há um ano. Em seu discurso, o novo integrante da AGM fez questão de ressaltar a importância desses ilustres médicos para a construção da ciência médica.

Na solenidade de integração, doutor Alejandro Luquetti destacou aspectos de sua vida acadêmica que possibilitaram que ocupasse espaço no seleto grupo de integrantes da AGM. Formado em Medicina pela Universidade de Montevidéu, capital do Uruguai, o médico está há mais de 40 anos na cidade de Goiânia

Luquetti enfrentou diversas dificuldades durante sua formação acadêmica decorrentes da estrutura existente naquele país onde a seleção era durante o curso, com provas exaustivas, pela ausência de vestibular. Os profissionais formados tinham poucas oportunidades de trabalho, com baixos salários. A pesquisa na área era ainda mais difícil. “Fazíamos pesquisa como voluntários e deveríamos adquirir reagentes do próprio bolso. Lembro de ter viajado várias vezes a Buenos Aires, de barco, para adquirir fitohemaglutinina, reagente essencial para as técnicas de ativação linfocitária que vínhamos desenvolvendo”, relembra o médico.

Mesmo em face de inúmeros percalços, Luquetti solicitou uma bolsa ao Conselho Britânico, sendo agraciado. Em 1973 viajou a Londres, onde entrou em contato modernas técnicas e procedimentos de pesquisa. Na cidade, se relacionou com vários médicos e teve aulas com profissionais renomados, hoje referências na área médica, como Roitt e Turk, autores de livros clássicos de Imunologia.

Em 1975, retornou a Montevidéu onde a situação não tinha melhorado. Nesse período, Luquetti buscou a revalidação do seu diploma no Brasil, mudando-se para Goiânia em abril do mesmo ano. A revalidação aconteceu nos cursos de Dermatologia e de Medicina Tropical do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG). Alejandro Luquetti optou pela vida de pesquisador, uma vez que já havia passado pelos atendimentos em plantões. Embora em alguns momentos o desânimo bata à porta, a pesquisa ainda é o que o impulsiona. “Os estudos, embora também gratificantes, têm seus momentos nos quais os resultados não aparecem e isso gera desconforto. Mas não me arrependi da escolha feita”, afirma.

Após outras experiências na prática médica, em 1976 Luquetti conseguiu o cargo de professor da UFG, atuando concomitantemente na perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), local onde prestou relevante trabalho, realizando, entre outras atividades, reuniões científicas.

Após a morte da professora Maria do Carmo Moreira de Souza, chefe de Luquetti, o médico assumiu o laboratório dela produzindo vários trabalhos. Com a vinda do médico americano Dr. Franklin Neva, que estudou os pacientes com Chagas, Dr. Alejandro Luquetti e sua equipe foram destinados a cuidar dos equipamentos trazidos pelo americano, surgindo assim, o laboratório de pesquisa em doença de Chagas. A sede da instituição foi fundada em 1989 na Faculdade de Medicina da UFG. Com intensa movimentação, o laboratório hoje é referência nacional para diagnóstico de Chagas. Em 1999 foi edificado o ambulatório de Chagas, que mais tarde foi fundido ao laboratório criando o Núcleo de Estudos da doença de Chagas (NEDOC).