Novos fármacos oferecem melhor qualidade de vida

O senso comum classifica todas as formas de diabetes como se fossem únicas. Embora o diagnóstico dessa doença seja baseado na dosagem da glicose, existe uma diferença clínica entre a diabetes do tipo 1 e a 2. Por ser uma enfermidade heterogênea, a manifestação clínica e a progressão dela é variável. No diabetes tipo 1 […]

Publicado dia 17/02/2017 às 17:36

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

O senso comum classifica todas as formas de diabetes como se fossem únicas. Embora o diagnóstico dessa doença seja baseado na dosagem da glicose, existe uma diferença clínica entre a diabetes do tipo 1 e a 2. Por ser uma enfermidade heterogênea, a manifestação clínica e a progressão dela é variável.

No diabetes tipo 1 a causa é autoimune, ou seja, o corpo ataca a si mesmo e, possivelmente, desencadeada por algum fator ambientais como vírus. No tipo 2 existe uma predisposição genética associada a fatores ambientais como excesso de peso e sedentarismo. Essa classificação determina o aparecimento dos sintomas e as formas de tratamento.

No tipo 2 há uma resistência gradual à insulina levando posteriormente à deficiência da produção dessa substância. Isso significa que no início da manifestação da doença não é necessário o uso de insulina por vias exteriores, sendo imprescindível a sua administração normalmente após os 40 anos.

Na diabetes tipo 1, acontece uma destruição das células beta – responsáveis pela produção de insulina. Desse modo, não há produção dessa substância, o que torna indispensável o uso de insulina sintética desde o início da enfermidade. Esse tipo costuma se manifestar em crianças e adolescentes.

SINTOMAS E MEDICAÇÕES
Os principais sintomas da diabetes são a hiperglicemia (picos elevados de açúcar no sangue), sendo mais intensos na diabetes tipo 1. O indivíduo desenvolve também poliúria (vontade de urinar em excesso), polidipsia e polifagia (sede e fome anormais), resultado da perda de glicose pela micção). Também estão associadas à perda de peso acentuada, fraqueza e alteração visual.

De acordo com o endocrinologista Paulo Prata, existem vários fármacos que podem ser utilizados no tratamento. “Temos a metformina, agonistas do receptor GLP-1, inibidores da SGLT2, inibidores da DPP-4, glitazona, sulfonilureias, glinidas, insulinas e acarbose”, indica. Entretanto o tratamento deve ser individualizado, assim como os alvos glicêmicos de jejum, pós-alimetação e de hemoglobina glicada.

O principal foco deve ser minimizar o risco de hipoglicemia e ganho de peso, que são os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos para os diabéticos. Outras consequências corriqueiras são intolerância gastrointestinal, náuseas, vômitos, diarreia, infecção por fungos dos órgãos genitais e edemas nos membros inferiores. Durante o tratamento é comum a combinação de várias drogas e ações complementares.

Existem remédios mais modernos que reduzem sensivelmente os efeitos colaterais. “Os mais recentes são os agonistas do receptor GLP-1 (Liraglutida, Lixisenatide e Liraglutide). A eficácia não difere substancialmente dos remédios antigos, mas tem a vantagem de contribuir para redução do peso e baixo risco de hipoglicemia. Essas drogas também diminuíram o risco de enfermidades cardiovasculares e mortalidade por doenças do coração em pessoas com alto risco cardiovascular”, revela.

PREVENÇÃO E FISCALIZAÇÃO
A diabetes tipo 1, por ter origem genética, não é passível de prevenção. Já na tipo 2 consegue-se adiar o seu desenvolvimento ou até mesmo impedir o aparecimento. Para tanto, hábitos saudáveis são indispensáveis, principalmente uma dieta equilibrada e a prática de exercícios físicos. “Uma alimentação enriquecida com grãos integrais, vegetais e frutas tem sido correlacionada com risco reduzido de diabetes. A atividade física deve ser de moderada intensidade por 150 minutos por semana”, indica o endocrinologista.

O controle glicêmico também é um fator fundamental no tratamento dessa doença. As medições pelos aparelhos de farmácia ajudam no monitoramento do consumo de açúcares. Evitar alimentos que tenham essas substâncias auxilia no controle dos sintomas assim como parar de fumar, que dificulta o aparecimento de doenças do coração, e a diminuição ou cessamento do consumo de álcool.