Autoconhecimento para atingir o prazer pleno

O prazer feminino historicamente foi cercado de recriminações e tabus. Esse trato social com a sexualidade delas ainda produz efeitos e é comum que várias tenham dificuldades em obter sensações agradáveis durante a relação sexual. Na entrevista a seguir, a sexóloga Deusanete Carneiro Maciel esclarece algumas dúvidas em relação às formas com que o sexo […]

Publicado dia 06/06/2017 às 16:00

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

O prazer feminino historicamente foi cercado de recriminações e tabus. Esse trato social com a sexualidade delas ainda produz efeitos e é comum que várias tenham dificuldades em obter sensações agradáveis durante a relação sexual. Na entrevista a seguir, a sexóloga Deusanete Carneiro Maciel esclarece algumas dúvidas em relação às formas com que o sexo feminino pode lidar melhor com as agruras do corpo.

Quais são as iniciativas para que uma mulher possa desfrutar de uma vida sexual prazerosa?
A meu ver antes é preciso ter autoconhecimento. A mulher tem muita vergonha do próprio corpo. Mesmo que ele esteja dentro dos padrões normais de beleza elas acham que não estão bem. É importante lembrar que o conhecimento gera intimidade, fator imprescindível para que a mulher saiba o funcionamento do seu corpo e não responsabilize o homem como se ele tivesse a obrigação de saber suas zonas erógenas. Afinal, o homem tem completa intimidade com o próprio corpo. Outro aspecto importante é que ela entenda que cada um é responsável pelo seu próprio prazer. Para que ele aconteça é necessário liberdade para buscar no outro aquilo que lhe satisfaça. Intimidade sexual é uma parceria, mesmo que fugaz, pois se trata de duas pessoas com o mesmo propósito.

As mulheres têm tanto desejo sexual quanto os homens?
Em algum momento pode ser que sim. Mas no geral as mulheres são interrompidas pelas variações hormonais, multiplicidade de papéis, amplitude de pensamento e também normatizações sociais que, ao longo do tempo, estabeleceu o sexo para mulher exclusivamente com a finalidade de procriação, liberando-a para o ato sexual somente após o casamento.

O orgasmo feminino é atingido de diferentes formas, variando de mulher para mulher? É difícil de ser alcançado?
Segundo a literatura de 1984, cerca de 60% das mulheres teriam dificuldades orgásticas. Infelizmente esse percentual parece não ter diminuído em 2016. Um dos grandes problemas femininos, ainda hoje, é o costume de fingir que teve orgasmo. A mulher aprendeu, ao longo do tempo, que é importante para o homem sentir que é capaz de satisfazê-la e, fingindo, demonstra que o parceiro é bom, e ela orgástica (boa de cama). Existem sim várias formas de ter orgasmo e cabe ao casal tentar “sua forma particular”, considerando que o ser humano é individual.

As mulheres são mais ligadas a estímulos emocionais em comparação com os homens?
Sim. Esse aspecto é muito significativo no mundo feminino. Não esquecendo que somos regidas por hormônios, portanto, a sensibilidade e a emoção regem a vida funcional da mulher. No homem, além de ser extremamente visual, a testosterona dita a premência de sua necessidade sexual.

O diálogo entre parceiros é fundamental para que ambos tenham uma vida sexual satisfatória?
O diálogo é fundamental nos relacionamentos humanos, em qualquer nível. O casal não deve ter vergonha de falar do que gosta, o sente, dos seus medos e dificuldades. Não é privilegio só da mulher a insegurança e insatisfação no relacionamento. Na maioria das vezes, o homem não deixa transparecer, porque foi educado para ser o garanhão, o senhor da interação sexual, mas nem sempre essa segurança e esse nível de resolução demonstrados, são verdadeiros.