Congelamento de óvulos é saída para mulheres que pretendem adiar a gravidez

O congelamento dos óvulos é uma alternativa para a mulher ou o casal que deseja adiar por algum motivo a gravidez. De acordo com o obstetra e ginecologista Luiz Augusto Batista, existem dois casos em que a alternativa para o congelamento são viáveis, o primeiro seria por indicação médica, principalmente quando a mulher se depara […]

Publicado dia 27/04/2017 às 16:00

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O congelamento dos óvulos é uma alternativa para a mulher ou o casal que deseja adiar por algum motivo a gravidez. De acordo com o obstetra e ginecologista Luiz Augusto Batista, existem dois casos em que a alternativa para o congelamento são viáveis, o primeiro seria por indicação médica, principalmente quando a mulher se depara com algum problema de saúde que impossibilite a gravidez posterioremente. “Fazer quimioterapia ou radioterapia, por exemplo, traz danos ao ovário ou pode induzir a uma menopausa prematura”, explica.

Outro caso em que esse procedimento ocorre é por desejo pessoal, ou seja, quando uma mulher se aproxima da idade em que a sua fertilidade cai e ainda não quer se tornar mãe. Conforme afirma o especialista, essa opção é cada vez mais comum. “Hoje a mulher estuda, trabalha e quer ter sua independência financeira antes de casar ou ter filhos”.

Esse procedimento, entretanto, requer algumas condições. Como a fertilidade feminina começa a declinar a partir dos 35 anos, é necessário que os óvulos sejam retirados antes desse período para congelamento. É importante também que os ovários tenham uma boa reserva dessas células para congelamento. A recomendação é de que no mínimo 20 óvulos sejam retirados. Quando alguma dessas recomendações não é seguida, a taxa de sucesso no tratamento futuro fica reduzida.

Para retirar os óvulos, a mulher é submetida ao uso de medicamentos indutores da ovulação por um período de oito a 10 dias. Por meio da ultrassonografia transvaginal, sem qualquer tipo de corte, sob leve sedação, em ambiente hospitalar, os óvulos são aspirados, identificados e guardados. A técnica utilizada hoje é a vitrificação, que garante a manutenção da qualidade dos óvulos por tempo indeterminado.

Embora os óvulos possam ser resguardados por um longo período, é aconselhado que a mulher tente engravidar até os 50 anos. Qualquer gestação que ultrapasse esse tempo apresenta risco para a mãe e para o bebê. Como o objetivo do congelamento ovular é possibilitar à mulher ter filhos mais tarde em sua vida, exceder esse prazo pode dificultar a realização do sonho.

Caso a paciente deseje descartar os próprios óvulos, o procedimento é simples e rápido. “Como óvulos são apenas células, eles podem ser descartados a qualquer momento sem nenhuma questão ética ou religiosa”, alega o médico.

O especialista esclarece que a gravidez por meio de um óvulo congelado apresenta uma particularidade. A gestação terá a idade do óvulo utilizado e não a da gestante. Isso significa que os riscos que ela pode correr são aqueles que ocorreria à idade do óvulo. Por exemplo, uma mulher de 50 anos que tenha feito o procedimento aos 30 e recebe a fecundação, os riscos que ela corre são os mesmo de uma gravidez aos 30 anos. “É como se parássemos o tempo”, metaforiza o médico. Esse fato é uma vantagem já que óvulos mais jovens apresentam menor risco de desenvolverem problemas. Entretranto Luíz Augusto ressalta que “ congelar óvulos não é garantia de uma gravidez no futuro”, ou seja, há riscos, mesmo que pequenos, do procedimento não ocorrer com sucesso.