Inspiração para vencer o câncer de mama – Parte 1

O câncer de mama não é uma sentença de morte e não deve ser encarado como um ladrão da vaidade, coragem e força feminina. Aos 39 anos, a empresária Marie Proffit (foto) foi diagnosticada com um tumor maligno no seio. A autoconfiança, determinação e fé no sucesso do tratamento foram cruciais para a vitória. Hoje, […]

Publicado dia 28/02/2017 às 22:16

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O câncer de mama não é uma sentença de morte e não deve ser encarado como um ladrão da vaidade, coragem e força feminina. Aos 39 anos, a empresária Marie Proffit (foto) foi diagnosticada com um tumor maligno no seio. A autoconfiança, determinação e fé no sucesso do tratamento foram cruciais para a vitória. Hoje, aos 42 anos, ela é motivo de inspiração e admiração para centenas de mulheres que travam batalhas contra a neoplasia.

Marie nasceu na França e veio para o Brasil ainda criança, aos seis anos. Em solo brasileiro ela mantém a cultura e tradições europeias. Isso influencia na determinação e transparência com que encara a vida. Casada e mãe de duas crianças, 10 e 5 anos, a empresária divide a rotina entre casa, trabalho e sua grande paixão, corrida de aventura.

A desportista nutre hábitos salutares para manter o condicionamento atlético. “Me alimento de forma saudável devido o treinamento físico intenso”. Marie treina seis vezes por semana, dorme cedo, não fuma e nunca usou drogas. Essa condição, aliada a ausência de histórico familiar, a fez acreditar que não pertencia ao grupo de risco de câncer de mama. E, por isso, não realizava checkups, não examinava as próprias mamas e não ia anualmente ao ginecologista.

A imprudência felizmente foi respaldada pela prática de corridas de rua. “Após uma prova, fui me limpar para subir ao pódio e quando passei a mão debaixo da axila senti um nódulo”, recorda. O corpo estranho identificado pela empresária, posteriormente, comprovou ser um tumor maligno. A notícia, porém, foi recebida com tranquilidade. Marie revela que se sentiu grata por ser ela a passar por aquele desafio e não um de seus filhos.

A serenidade com que lidou com a informação foi tamanha que Marie ainda pretendia seguir normalmente com a rotina de treinos e maratonas. “Eu participaria de uma maratona difícil alguns meses à frente, no Sul. Então perguntei para o mastologista se minha treinadora poderia comprar as passagens, e ele me retaliou dizendo que iríamos passar pelo menos um ano fazendo o tratamento com tudo que um câncer exige, um protocolo longo que fragiliza muito… Nesse momento senti o baque. Chorei naquele dia e nos outros não”, conta.

A autoconfiança, forte característica da empresária, a fortaleceu para seguir na luta. “Nunca me vi como uma vítima fatal”, conta. A certeza de que iria superar o câncer foi proporcional à transparência e honestidade com que lidou com o tratamento. Marie fechou a loja que possuía em um shopping, por causa do tratamento e da crise econômica do País, e passou a compartilhar com as amigas os desafios que enfrentava. A resposta positiva ofereceu o afago que Marie precisava naquele momento. “Não tem porque não compartilhar. Depois de um tempo comecei a perceber que eu ajudava outras pessoas na mesma situação que eu”.

Para Marie “quem elogia já se faz bem”, portanto o carinho recebido nas postagens sobre o tratamento a fortalecia, e a força adquirida se revertia em inspiração para as mulheres que enfrentavam semelhante desafio. “Às vezes eu não estava bem, mas sabia que as pessoas esperavam que eu estivesse, então eu dizia para mim mesma, ‘vamos, mais um pouco de força’, e eu ia”. A relação mútua de respeito perdura até hoje. A empresária conta que recebe feedbacks diariamente de pessoas a parabenizando, dizendo como ela os inspira e até mesmo pedindo dicas de tratamento e de profissionais.

Porém, os momentos difíceis também existiram, dentre eles, Marie destaca a definição do tratamento. “Eu não tinha capacidade técnica para atuar sobre a questão e os médicos tinham opiniões diferentes”. A divergência entre os especialistas exigiu da empresária uma atitude enérgica. “Falei para os médicos conversarem e se decidirem, porque um falava isso e outro aquilo”. Por fim, ela optou pelo tratamento convencional e completo com cirurgia, quimioterapia e radioterapia. O tratamento durou 11 meses e desde fevereiro deste ano ela está livre do câncer. “Agora faço exames semestrais e tomarei uma medicação a longo prazo, por dez anos. Tenho alguns efeitos enjoadinhos, mas isso é o de menos”.