Síndrome de Harada é rara e afeta olhos, pele, meninges e ouvidos

Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (SVKH), também como Síndrome Harada, é uma doença relativamente rara e suas causas ainda não são totalmente conhecidas. A enfermidade afeta os olhos, pele, meninges e ouvidos, podendo levar à perda visual importante. A oftalmologista Letícia Jorge, especialista em uveíte e catarata pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), explica que a Síndrome […]

Publicado dia 27/04/2017 às 19:00

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Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada (SVKH), também como Síndrome Harada, é uma doença relativamente rara e suas causas ainda não são totalmente conhecidas. A enfermidade afeta os olhos, pele, meninges e ouvidos, podendo levar à perda visual importante.

A oftalmologista Letícia Jorge, especialista em uveíte e catarata pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), explica que a Síndrome de Harada é uma doença sistêmica e presumidamente autoimune. A teoria mais aceita é a de que células do próprio organismo causem uma inflamação contra os melanócitos, as células pigmentares. A doença é mais comum e mulheres e pessoas com pigmentação escura.

Os sintomas variam de acordo com cada fase da doença. “No estágio inicial, chamado prodrômico, eles são inespecíficos. Predomina a febre, dor de cabeça, náusea, zumbido e manifestações neurológicos semelhantes a meningite. Na segunda fase, conhecida por uveítica, ocorre uma inflamação intraocular difusa, embaçamento visual súbito e dor. A última etapa é a de convalescença, quando pode acontecer queda de cabelo e áreas de despigmentação de pele e cílios”, explica.

Segundo a especialista, são utilizados critérios clínicos para diagnosticar a Síndrome de Harada. “É essencial a exclusão de causas infecciosas da inflamação ocular e trauma ocular penetrante. No geral ocorre a inflamação ocular bilateral e os achados de fundo de olho são característicos”, afirma Dra. Letícia.

No auxílio do diagnóstico podem ser realizados exames sistêmicos, como a punção lombar, e exames oftalmológicos, como angiofluoresceinografia e ultrassonografia ocular, a critério médico.

Ao contrário de outras enfermidades que acometem os olhos, a Síndrome de Harada não pode ser prevenida. “Apesar de não existir cura, a doença pode ser controlada. Quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento, maior a chance de recuperação visual”, salienta a especialista.

O tratamento é baseado no uso de corticóide oral e venoso em altas doses. A retirada da droga deve ser lenta e gradativa para evitar recaídas. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de imunossupressores”, alerta a oftalmologista.

A negligência ao tratamento acarreta sequelas visuais graves, como fibrose retiniana. “A SVKH é uma causa importante de uveíte não infecciosa. Deve ser adequadamente diagnosticada e tratada para assegurar um menor número de recaídas e complicações oculares, a fim de proporcionar uma melhor visão final ao paciente” finaliza a doutora Letícia.