27 milhões de brasileiros sofrem com doenças crônicas na coluna

As dores na coluna são reclamações recorrentes, principalmente por parte de trabalhadores. No final de 2014, a Pesquisa Nacional da Saúde apontou que 18,5% da população adulta, ou seja, 27 milhões de brasileiros são acometidos por doenças crônicas na coluna. O sintoma é mais incidente em pessoas com idade superior a 40 anos, sobretudo, em […]

Publicado dia 27/04/2017 às 01:27

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As dores na coluna são reclamações recorrentes, principalmente por parte de trabalhadores. No final de 2014, a Pesquisa Nacional da Saúde apontou que 18,5% da população adulta, ou seja, 27 milhões de brasileiros são acometidos por doenças crônicas na coluna. O sintoma é mais incidente em pessoas com idade superior a 40 anos, sobretudo, em indivíduos que realizam trabalhos pesados ou são sedentários.

Dentre as doenças crônicas que atingem a coluna, a lombalgia se destaca. A dor na região baixa das costas é uma das causas mais corriqueiras nos consultórios. O ortopedista e traumatologista Monres José Gomes, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), autor do livro Atlas Comentado de Ultrassonografia Musculoesquelética, explica que a lombalgia é uma causa frequente de morbidade e incapacidade, sendo superada apenas pela cefaleia na escala dos distúrbios dolorosos.

Geralmente, pessoas que possuem lombalgia sentem dor na região lombar. Entretanto, como a doença é evolutiva, pode incapacitar a marcha e a execução de tarefas laborais e diárias. O estado mais avançado, chamado de lombociática, acontece quando a dor irradia para um dos membros inferiores, normalmente ocasionada por compressão de raízes que formam o nervo isquiático.

Os fatores que contribuem para o desenvolvimento da lombalgia estão relacionados a causas congênitas, genéticas, neoplásicas, inflamatórias, infecciosas, metabólicas, traumáticas, degenerativas e funcionais. Assim, os motivos podem ser de ordem primária ou secundária e não necessariamente apresentam envolvimento neurológico. “Do ponto de vista evolutivo, as lombalgias, lombociatalgias e ciáticas podem ser caracterizadas como agudas ou lumbagos, subagudas e crônicas”, aponta o especialista.

No entanto, a causa mais prevalente de lombalgia é de origem mecânica-degenerativa. O ortopedista indica que a insatisfação laboral, condições psicossociais, obesidade, tabagismo, grau de escolaridade, trabalhos braçais, sedentarismo, depressão, postura e alterações climáticas, como pressão atmosférica e temperatura contribuem para o aparecimento da lombalgia mecânica.

De acordo com o orto-pedista, o diagnóstico é totalmente clínico e pode ser complementado com exames de imagem. Dentre os mais utilizados estão o raio-x, a tomografia computadorizada, a eletroneuromiografia, a ultrassonografia musculoesquelética da região lomboilíaca e a ressonância magnética.

Assim como outras patologias, a lombalgia exige tratamento diferenciado e individualizado. A depender da causa e da gravidade, a terapia pode consistir em repouso, analgésicos, miorrelaxantes, fisioterapia, RPG, osteopatia ou até mesmo intervenção cirúrgica. A negligência do tratamento expõe o indivíduo a crises dolorosas e intermitentes. Uma das consequências apontadas pelo ortopedista são as perdas profissionais e sensação de insegurança. “O indivíduo passa a acreditar que pode ter crise de dor a qualquer dia”. Além disso, quando não é tratada de forma adequada, a lombalgia pode se tornar crônica.

De acordo com Monres, em situações de crise de dor, o indivíduo deve repousar. “Caso a dor não passe, é preciso procurar pronto socorro ortopédico para um primeiro atendimento, seguido de consulta com especialista, de modo a dar continuidade ao diagnóstico e tratamento”. Hábitos salutares, para mente e para o corpo, são meios de prevenir e tratar cotidianamente as dores lombares.