Envelhecimento populacional: devemos preocupar com o futuro?

Em Portugal, Ana Abrunhosa relata que a Comissão Europeia (CE) reconheceu o Centro de Portugal como “Região Europeia de Referência” na área do envelhecimento ativo e saudável, “um dos desafios sociais” para os próximos anos. O reconhecimento do Centro resultou de uma candidatura à Parceria Europeia para a Inovação, que identificou as regiões que, nesse […]

Publicado dia 22/02/2017 às 20:07

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Em Portugal, Ana Abrunhosa relata que a Comissão Europeia (CE) reconheceu o Centro de Portugal como “Região Europeia de Referência” na área do envelhecimento ativo e saudável, “um dos desafios sociais” para os próximos anos. O reconhecimento do Centro resultou de uma candidatura à Parceria Europeia para a Inovação, que identificou as regiões que, nesse domínio, “demonstravam evidências claras de boas práticas, com incorporação de conhecimento e inovação, desde a prevenção, aos cuidados de saúde, à inovação e ao empreendedorismo”.

Iniciativas deste tipo devem ser copiadas em nosso país, com participação de iniciativas conjuntas dos entes sociais e políticos para ação coletiva em beneficio de todos

Propõe-se ainda os três pilares da estrutura política para o envelhecimento ativo (Gontijo, 2005):

– Participação: participação integral em atividades sócio-econômicas, culturais e espirituais, conforme seus direitos humanos fundamentais, capacidades, necessidades e preferências.

– Saúde: manutenção em baixos níveis dos fatores de risco (comportamentais e ambientais) de doenças crônicas e de declínio funcionais e manutenção de fatores de proteção elevadas; – Segurança: aborda as necessidades e direitos dos idosos e a segurança social, física e financeira.

As famílias e as comunidades são auxiliadas nos cuidados aos seus membros mais velhos, através de programas assistenciais, com fundos destinados para este fim.

O processo de envelhecimento é progressivo, e em todo o mundo é heterogêneo, multifatorial, sofrendo influencia do meio de vida, trabalho e formação cultural.

O potencial de sucesso, do idoso, em atividades participativas no meio social, familiar e profissional varia de acordo com a qualidade de vida e menor propensão a doenças graves incapacitastes.

LINDOMAR GUIMARÃES OLIVEIRA | Ortopedista e Membro titular da Academia Goiana de Medicina

LINDOMAR GUIMARÃES OLIVEIRA | Ortopedista e Membro titular da Academia Goiana de Medicina

A partir da segunda metade da década de 60, a redução da fecundidade desencadeou alterações no conteúdo da população brasileira, e toda América Latina, juntos com os países do chamado terceiro mundo. A grande diferença é que os países do chamado primeiro mundo, envelheceram ricos, e no terceiro mundo o envelhecimento está ocorrendo com os países pobres, faltando preparo, educação e ações politico sociais para lidar com essa população.

Na França foi criado o conceito da Economia Grisalha ou de Prata (Silver Economie), em localidade na região de Paris denominada Silver Valley, constituindo um centro de pesquisa, envolvendo municipalidades, estados e empresas voltadas para a pesquisa na melhoria da vida no envelhecimento, desde a ecologia, produtos e serviços com foco em melhor qualidade aos anos de vida. É um importante centro de pesquisas nessa área, multidisciplinar, prático e experimental.

Nos Estados Unidos há organizações como a American Society of Aging que trabalham em pesquisa e orientação de produtos e processos para melhoria da qualidade de vida dos idosos. Diversos outros países desenvolvem ações de prevenção de doenças e melhora na qualidade de vida. Portugal, Chile e México se oferecem como oportunidades, com incentivos para atrair aposentados. Algumas cidades brasileiras já se classificam no ranking de melhores cidades nesse sentido

O Brasil encontra-se em fase de mudança da estrutura etária populacional. Um número cada vez maior de idosos e um número decrescente de crianças e adolescentes tem feito com que, pela primeira vez na história recente, seja a maior parcela da população brasileira predominantemente adulta e em idade ativa. Do ponto de vista demográfico, o envelhecimento populacional resulta de dois fatores principais: primeiro a forte diminuição da fecundidade, caindo de 6,2 filhos por mulher em 1960 para 1,8 filhos em 2012; o segundo diminuição da mortalidade infantil, que passou de 121% em 1960 para 15,7% em 2012.

Como causas dessas alterações foram mudanças de comportamento e planejamento no campo social, educacional, cultural e da saúde, como a descoberta dos antibióticos, a criação das unidades de terapia intensiva e das vacinas, na metade do século passado, e as mudanças no estilo de vida. Com isso, a população brasileira envelheceu rapidamente nos últimos 50 anos.

O grupo das pessoas idosas aumentou de 4,7% (1960) para 12,6% (2012). Este processo está levando a uma profunda reestruturação da população do País: o cenário em que as crianças e jovens constituem o maior grupo populacional da pirâmide etária brasileira se reverterá em bem pouco tempo. Após 2030, o grupo dos idosos será maior que o grupo de crianças com até 14 anos e, em 2055, haverá mais idosos do que crianças e jovens com até 29 anos de idade. Em 2060, mais do que um terço da população brasileira será constituído por pessoas com 60 anos ou mais (33,7%).

Trabalhos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estimam que no ano 2000, o número de pessoas com 60 anos de idade e acima era 14.536.029, 7,3% da população, enquanto que em 1991 esse número era 10.722.705, sendo 8.6% da população. No Brasil, em media as mulheres vivem mais que os homens, cerca de oito anos. No ano de 1991, as mulheres correspondiam a 54%, em 2000 este número cresceu para 55,1%, isto é, para cada 100 mulheres idosas havia 81,6 homens (ver gráfico página 9).

Analisando a composição das faixas etárias no Brasil, demonstrado por dados do IBGE no gráfico anexo, é evidenciado que o país ingressou numa situação demográfica, concentrando a população brasileira potencialmente ativa entre 15 a 64 anos, como um bônus demográfico, pela diminuição da população dependente, menor de 14 anos, pela diminuição do grupo acima dos 70 anos. Essa situação de bônus atual tende a reverter nos próximos 20 anos pelo envelhecimento populacional. Esta situação ocorre nos países em envelhecimento, favorecendo a economia local. Este é talvez um dos fatores que impulsionam as correntes migratórias.

Esse bônus demográfico já está em andamento devendo entrar em regressão em torno de 2030 pelo aumento do envelhecimento, e não reposição por novos nascimentos, para manter alargada a base da pirâmide. Este é um grande risco para o Brasil, afetando os programas de assistência à saúde, previdência e a sociedade em geral, pela falta de educação para lidar com esse futuro.

Naturalmente já ocorreu nos países desenvolvidos uma maior relação de dependência dos idosos com sua manutenção, através da família, de recursos em poupança pessoal e através de entidades civis e governamentais.

Maiores encargos nos planos de pensões e aposentadoria, e também nos planos de saúde sofrem pressão pela despesa crescente. O que também está ocorrendo no Brasil, sendo necessária reforma na previdência, e planejamento educacional de como lidar como o presente, crescendo em problemas para o futuro.