Retirada de costelas para fins estéticos é agressiva e pode causar danos

A vaidade e a busca pela perfeição contribuem para que as pessoas busquem, cada vez mais, intervenções cirúrgicas como meio de alcançar um ideal estético. Apesar de não confirmarem, existem boatos de que algumas personalidades artísticas retiraram as costelas flutuantes para ficarem com uma cintura mais fina. Contudo, os especialistas alertam que esse procedimento pode […]

Publicado dia 26/07/2017 às 19:07

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A vaidade e a busca pela perfeição contribuem para que as pessoas busquem, cada vez mais, intervenções cirúrgicas como meio de alcançar um ideal estético. Apesar de não confirmarem, existem boatos de que algumas personalidades artísticas retiraram as costelas flutuantes para ficarem com uma cintura mais fina. Contudo, os especialistas alertam que esse procedimento pode causar sérios danos à saúde.

O ortopedista Murilo Tavares Daher, chefe do grupo de coluna do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique (Crer) e professor assistente da faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que a costoplastia (retirada das costelas) usualmente é utilizada como método de tratamento de casos específicos, como o de deformidades torácicas importantes, com destaque para a escoliose. “No entanto são casos específicos. Com os novos sistemas de fixação vertebral que permitem maior correção das curvas, cada vez menos as costoplastias (ressecção das costelas) são realizadas”, ressalta.

O corpo humano possui 12 pares de costelas que desempenham papel fundamental à estrutura corpórea, servindo como “arcabouço” da caixa torácica. As costelas são responsáveis por proteger os órgãos que se localizam no tórax e permitir a entrada e saída de ar durante a respiração. Portanto, a retirada de um par ou mais de costelas pode trazer complicações.

Os principais problemas decorrentes da ressecção das costelas variam em sua gravidade. De acordo com o especialista, pode acontecer a diminuição da capacidade pulmonar, que geralmente é reversível e não apresenta repercussão clínica importante nos indivíduos com função pulmonar normal. Porém, a cirurgia também pode causar pneumotórax (entrada de ar na pleura) e hemotórax (presença de sangue na cavidade pleural), infecções e demais riscos inerentes a quaisquer procedimentos cirúrgicos.

Cabe ressaltar que esse procedimento é alvo de controvérsias. Artistas que, supostamente, se submeteram a operação não confirmam o fato, mas o alvoroço causado pela aparência magra e cintura fina contribui para o surgimento de candidatas à realização. No entanto, a controvérsia maior diz respeito ao registro científico dos resultados desta técnica. “Em busca ao PUMED, maior banco de dados para pesquisa de artigos científicos, usando-se os termos plastic surgery and ribs, foram encontrados 166 artigos, nenhum deles abordando essa operação. Isso revela que, embora o procedimento tenha sido descrito há muitos anos, não existe evidência na literatura que suporte sua realização”, constata Murilo Daher.

Assim, o especialista defende que não existem pontos positivos a serem destacados em relação a retirada das costelas flutuantes para fins estéticos. “É uma cirurgia agressiva e com alta morbidade”. Para ele, esse procedimento é contrário à maioria das cirurgias plásticas habituais que, apesar de oferecerem riscos, são menos agressivas e realizadas com maior frequência pelos cirurgiões.

Além da cirurgia, técnicas como tight lacing e cintas de compressão voltam a ser utilizadas para causar o efeito de cintura fina. Este método de “comprimir” a estrutura óssea causa repercussões nos órgãos abdominais. “O uso de cintas pode ocasionar fragilidade da musculatura abdominal e paravertebral, levando o aumento da incidência de dor lombar”. Para garantir a boa aparência não é preciso abrir mão da saúde. Para tanto, o especialista recomenda que esse tratamento seja realizado sob orientação de um médico especialista na área.