Implante permite a recuperação da audição

Crer passa a oferecer, por meio do SUS, procedimento de implante coclear, que chega a custar R$ 100 mil na rede privada

Publicado dia 11/03/2013 às 11:26

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Imagine a emoção de permitir a uma pessoa ouvir, pela primeira vez em sua vida, os sons que permeiam o seu dia a dia? Ou mesmo, resgatar a audição de quem há tempos perdeu essa capacidade ao longo da vida? No Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) a situação está se tornando realidade por meio da implantação do implante coclear. O procedimento que poderá ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) custaria mais de R$100 mil, se realizado na rede privada. Em Goiás, 14 pessoas já foram beneficiadas.

Durante cinco anos, o Crer buscou adaptação segundo as exigências do Ministério da Saúde e, há oito meses iniciou a realização do implante. O procedimento combina uma cirurgia de alta complexidade a uma série de sessões de fonoaudiologia para habilitar o paciente a fazer uma perfeita interpretação dos sons. No total, 14 portadores acometidos com a perda auditiva profunda bilateral, ou seja, nos dois ouvidos, já foram operados.

O pequeno João Augusto Melo Godinho, de dois anos, natural de Pirenópolis, município localizado a 120 quilômetros da capital, passou recentemente por essa experiência. Ao ser detectado, logo no seu nascimento, com a perda profunda de audição nos dois ouvidos, seus pais Ivan Araújo Godinho, 39, e Maria Cristina de Melo Godinho, 37, travaram uma luta para definir a melhor forma de garantir a qualidade de vida do filho caçula. “É sempre um grande choque receber um diagnóstico como esse, que é construído após três diferentes testes, enquanto a criança possui apenas meses de vida. Você sempre nutre a esperança de que essa perda possa ser revertida com o tempo, ou no resultado do próximo exame. Mas isso não aconteceu com nosso pequeno João Augusto”, relata.

O casal foi orientado a buscar ajuda no Crer e, após uma consulta na rede pública de saúde, conseguiu o encaminhamento para o centro de referência. Lá, o primeiro procedimento foi a adoção de um aparelho externo de audição para identificar se haveria alguma melhora. No entanto, avaliações e exames detalhados identificaram o implante coclear como opção mais indicada para o desenvolvimento da audição da criança.

“Foi uma decisão difícil de ser tomada. Mas a equipe do Crer foi muito atenciosa em nos explicar sobre as vantagens do procedimento e os benefícios da cirurgia”, recorda. Hoje, passado pouco mais de um mês da cirurgia, João Augusto já identifica o seu próprio nome e evolui diariamente na tentativa de interagir por meio da fala com os que estão ao seu redor. Ao ativar o aparelho implantado, mãe e filho reagiram da mesma forma às primeiras palavras ditas pela equipe médica: com lágrimas nos olhos.

Triagem
Conforme explica o responsável técnico pelo procedimento, o otorrinolaringologista Sérgio de Castro Martins, o implante coclear, oferecido integralmente pelo Sistema Único de Saúde no Crer, custará na rede privada em torno de R$120 mil, apenas a cirurgia, sem levar em conta o valor dos exames e o acompanhamento fonoaudiológico feito posteriormente. “Temos orgulho de oferecer um tratamento integral 100% gratuito, inclusive com a realização de exames de última geração”, alega Sérgio.

Uma equipe multidisciplinar composta por otorrinos, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais é responsável por avaliar o quadro clínico do paciente, sua aceitação diante da deficiência auditiva e as condições financeiras necessárias para a manutenção do aparelho implantado. “Infelizmente, ainda não temos uma portaria governamental que determine o custeio da manutenção do aparelho, o qual acaba ficando a cargo da família. Estamos falando de um aparelho que consome baterias no valor de R$500 a R$700, a cada dois anos. É muito importante que a família tenha condições de custear a sua manutenção”, explica o coordenador.

Procedimento
A cirurgia para a implantação do aparelho dura de quatro a cinco horas. Uma equipe composta por cinco médicos e dois fonoaudiólogos se dedica à implantação e ao teste do aparelho, que nada mais é do que um feixe ultrafino com eletrodos adaptado à parte do ouvido interno, a cóclea. Passado um mês do procedimento, tempo concedido para a cicatrização, é adaptada a sua parte externa, semelhante a um aparelho auditivo convencional, e que se interliga ao implante por um sistema similar ao de imã.

Fonte: Notícias de Goiás