Precisamos de uma Reforma na educação médica brasileira

VARDELI ALVES DE MORAES | Membro da Academia Goiana de Medicina Reforma Flexner foi uma série de transformações que aconteceram nos Estados Unidos a partir de um relatório emitido por Abraham Flexner em 1910. Flexner era um educador formado em química. Este relatório foi encomendado pela Associação Médica Americana que estava preocupada com o excesso […]

Publicado dia 18/04/2017 às 16:02

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VARDELI ALVES DE MORAES | Membro da Academia Goiana de Medicina

Reforma Flexner foi uma série de transformações que aconteceram nos Estados Unidos a partir de um relatório emitido por Abraham Flexner em 1910. Flexner era um educador formado em química. Este relatório foi encomendado pela Associação Médica Americana que estava preocupada com o excesso de escolas médicas no País e muitas delas sem condições adequadas para o ensino médico. O relatório Flexner foi avassalador, tornando público o desastroso sistema de formação médica vigente no País e sugerindo uma série de recomendações que visavam a melhoria do ensino, estabelecendo que somente 31 das 160 escolas visitadas tinham condições de continuar em funcionamento. Nem todas as sugestões de Flexner foram seguidas pela Associação Médica Americana. No entanto, houve o fechamento de 94 escolas médicas. No ano de 1933 havia 66 escolas em atividade nos Estados Unidos e Canadá.

No Brasil aconteceu e está acontecendo exatamente o oposto. De acordo com Antonio Celso Nassif, em 1960 havia 29 escolas médicas, em 1971 já eram 73, em 1992 80 escolas e, atualmente, chegamos a 259 escolas. No estado de Goiás saltamos de uma (UFG) para nove escolas, de acordo com o site “escolas médicas” . O número de vagas saltou de 110 para 770. O que é pior é que somente a UFG (Goiânia e Jataí) oferece ensino gratuito. Isto demonstra o fato de que o MEC está claramente incentivando a mercantilização do ensino médico no Brasil com mensalidades caríssimas e escolas sem cenários de prática por não terem hospitais de ensino. Muitas destas escolas são verdadeiras exportadoras de alunos, ou seja, a partir do internato encaminham seus alunos para os grandes centros a fim de realizarem os estágios obrigatórios, porque não possuem hospitais necessários e suficientes para absorver os próprios alunos.

Eu sei que o que propus no título “precisamos de um relatório Flexner” é utopia e é como pregar no deserto, porque a política para o ensino médico do governo atual é aumentar progressivamente o número de faculdades e de vagas. A meta é a criação de 11,5 mil novas vagas de medicina até 2017. Mas não devemos esmorecer porque há setores da sociedade que estão percebendo o quanto é irregular a criação de novos cursos de Medicina, como ocorreu com o Tribunal de Contas da União que, diante de supostas irregularidades na criação dos novos cursos suspendeu a abertura de 2.290 vagas, de acordo com matéria publicada pela Folha de São Paulo.