Câncer de próstata: prevenção e tratamento

A próstata está suscetível a vários tipos de doenças, sendo a mais grave delas o câncer, que se caracteriza por um crescimento anormal das células desse órgão. Essa proliferação desordenada, entretanto, pode levar anos, o que retarda o aparecimento dos sintomas. No início a alteração morfológica da próstata é pequena e, sem intervenção médica, progride […]

Publicado dia 22/03/2017 às 11:00

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A próstata está suscetível a vários tipos de doenças, sendo a mais grave delas o câncer, que se caracteriza por um crescimento anormal das células desse órgão. Essa proliferação desordenada, entretanto, pode levar anos, o que retarda o aparecimento dos sintomas. No início a alteração morfológica da próstata é pequena e, sem intervenção médica, progride causando problemas. De acordo com o urologista, Thiago Marques de Oliveira (foto), membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é crucial fazer exames de rotina periodicamente. “É por meio deles que se identifica o câncer em seu estágio inicial. Dessa forma o tratamento torna-se viável, menos agressivo e com melhores resultados”, esclarece.

Os sintomas surgem principalmente na fase avançada da neoplasia. A micção frequente – urinar mais que o normal – e a interrupção ou fraqueza do fluxo urinário são alguns deles. Entretanto, outras enfermidades também atingem a próstata. O acompanhamento médico impede o diagnóstico errôneo, tornando o tratamento mais preciso. A prostatite, inflamação da próstata, e a hiperplasia prostática, o inchaço desse órgão interferindo no fluxo urinário, também são comuns e requerem tratamento.

O câncer de próstata atinge principalmente homens com idade superior a 65 anos e é a segunda maior causa de óbito oncológico. “Quando o diagnóstico é feito no início, a chance de cura chega a 90%. Entretanto, cerca de 20% dos pacientes ainda são diagnosticados em estágios avançados. Mas, felizmente, esse número vem decaindo devido as políticas públicas e a maior conscientização das pessoas”

As principais formas de prevenção estão relacionadas a hábitos saudáveis e a limitação de exposição a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo e a má alimentação. Segundo o urologista, fazem parte do arsenal preventivo o diagnóstico precoce de qualquer alteração prostática, que detecta inclusive lesões pré-cancerosas, o que leva a cura ou ao aumento da qualidade da sobrevida. “O início do rastreamento deve ser feito a partir dos 45 anos, principalmente nos casos com histórico de câncer de próstata na família. Homens negros também devem iniciar o tratamento precocemente”, alerta o especialista.

Os exames mais comuns para detectar o câncer na próstata são o toque retal e a dosagem sanguínea do PSA, substância seminal produzida pela próstata que em quantidades altas pode indicar a presença do câncer. “O toque deve ser feito mesmo se o PSA estiver normal pois em torno de 20% dos tumores de próstata, o PSA não se altera. Quando o PSA ou o toque vem alterado, o exame de biópsia de próstata é indicado¨, diz Dr. Thiago.

Os tratamentos possíveis são variados e leva-se em consideração a chance de cura, o estágio da doença, a idade, as condições do paciente, os efeitos colaterais e o custo. Pacientes em estágio inicial devem acompanhar o desenvolvimento da doença e, se necessário, retirar a próstata e iniciar o tratamento radioterápico. Se o câncer estiver espalhado sobre o órgão, a crirugia e a radioterapia são os mais indicados. ¨Nos casos avançados, o tratamento tem intenção paliativa, podendo-se optar por terapia de ablação hormonal e quimioterapia, associadas ou não a procedimentos cirúrgicos para melhorar o fluxo urinário nos pacientes com sintomas obstrutivos e medicações para proteção óssea¨. A cura definitiva depende do diagnóstico e do estágio da doença. Cerca de 80% dos pacientes submetidos à prostatectomia ou radioterapia se curam após 10 anos de acompanhamento.

Na cirurgia de retirada do órgão as sequelas podem ser disfunção erétil, incontinência urinária e lesão do reto. ¨A taxa de manutenção da função erétil é maior em homens abaixo de 65 anos, no entanto outros fatores como diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo e doenças cardíacas interferem na disfunção erétil após a cirurgia. Alguns estudos mostram que a incidência da disfunção erétil após a prostatectomia radical pode chegar a 60%¨, explana o médico.