Novos paradigmas levam os homens a se questionarem

Apesar do machismo ainda persistir, atitudes sexistas são questionadas e refletidas pela sociedade. Com a aproximação dessa mudança de paradigma, homens e mulheres têm desempenhado funções similares, a par das discriminações que ainda resistem. Uma transição de comportamentos que condiciona a ruptura com uma velha mentalidade começa a ser reivindicada no cenário brasileiro. Se a […]

Publicado dia 11/05/2017 às 16:00

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Apesar do machismo ainda persistir, atitudes sexistas são questionadas e refletidas pela sociedade. Com a aproximação dessa mudança de paradigma, homens e mulheres têm desempenhado funções similares, a par das discriminações que ainda resistem. Uma transição de comportamentos que condiciona a ruptura com uma velha mentalidade começa a ser reivindicada no cenário brasileiro.

Se a mulher não é mais considerada o sexo frágil, o homem não precisa provar sua virilidade a todo momento. De acordo com psicanalista Elise Alves dos Santos, doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Psicologia dos Processos Psicossociais e especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, ocorre um processo de mudança em relação ao que é demandado como masculinidade. “Os avanços nas conquistas das mulheres têm afetado aquilo que antes era consagrado apenas aos homens. O detentor do sexo masculino vai perdendo o rótulo de força única e solitária, para assumir o papel de parceiro da mulher”, afirma.

Essa transição na mentalidade dos homens, e sobre os homens, é recente no Brasil. Desse modo, as questões sobre a masculinidade começam a ser analisadas sob novas perspectivas. A psicanalista Elise ao citar relatos recorrentes em seu consultório, conclui que “hoje existe um movimento não só na sociedade em reservar um dia do homem no calendário comemorativo, de reivindicar pelo aumento da licença paternidade, mas especialmente na intimidade dos casais, que em seu dia a dia discutem a divisão de tarefas domésticas, o cuidado um com o outro e com os seus familiares”.

A transformação psíquica do homem, segundo a psicanalista, parte para a comunhão de realidades que antes eram restritas ao sexo feminino. Além disso, a sociedade passa a abrir espaço para a população masculina reconhecer suas dores e sofrimentos, e a vivenciar a sensibilidade enquanto ser humano. “Esse reconhecimento não os torna menos homens, ao contrário, o efeito dessa mudança de atitude reflete positivamente na saúde deles e nas representações sociais. Boa parte dessa mudança implica em sair de um lugar de ser servido e servir, de ser cuidado e cuidar”, esclarece.

No entanto, ainda há muito trabalho pela frente para que essa nova mentalidade ganhe força. “A educação que os pais querem para seus filhos faz toda diferença, pois ela pode tanto repetir padrões rígidos para o filho homem como não aceitar que ele seja criado para ser um machista. Uma mudança estrutural leva tempo, ou pode até mesmo nm ão ocorrer naqueles que se regozijam com um status sexista antiquado, na repetição de relações de poder”, analisa a psicanalista.

Para a psicanalista, um ideal único de papéis de gênero a ser seguido é uma quimera. “Primeiro porque ao pensar em igualdade corremos o risco de cair numa concepção unitária de gênero. Somos desiguais e parciais em certo sentido. Não existe o homem, mas sim homens, em suas singularidades e seus plurais, pertencentes e constituídos em uma determinada sociedade”, comenta.

É preciso entender que o masculino e o feminino andam juntos e cada homem (ou mulher) pode descobrir, sem maiores preconceitos, seus desejos em temperar sua vida de relações à sua maneira. Parafraseando o cantor Pepeu Gomes, a psicanalista entende que “ser um homem feminino não fere o seu lado masculino”, finaliza.