Próstata – Ressonância Magnética de 3.0 Tesla. Por quê?

Leonardo Normanha – Radiologista O uso de RM de alto campo (3,0 T) oferece novas possibilidades para o estudo das patologias da próstata, principalmente no estadiamento das lesões. Os exames de RM realizados utilizando equipamentos de 3,0 T não necessitam utilizar bobina transretal que é sempre um fator de desconforto para o paciente. Muitas das […]

Publicado dia 20/04/2017 às 16:00

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Leonardo Normanha – Radiologista

O uso de RM de alto campo (3,0 T) oferece novas possibilidades para o estudo das patologias da próstata, principalmente no estadiamento das lesões. Os exames de RM realizados utilizando equipamentos de 3,0 T não necessitam utilizar bobina transretal que é sempre um fator de desconforto para o paciente.

Muitas das diferenças entre as RM 1.5T e 3.0T são o resultado direto das propriedades físicas da MR relacionadas com a mudança de intensidade de campo. A SNR (sinal ruído) aumenta quase que linearmente com a maior força de campo magnética, enquanto que o ruído de base fica inalterado. O número de elétrons utilizados como base de informações é o dobro na RM de 3.0T e, sendo assim, as imagens adquiridas possuem mais informações.

O mais significativo benefício é provavelmente o aumento substancial da resolução espacial para melhorar a visualização de detalhes anatômicos e ou para reduzir o tempo de aquisição, a fim de reduzir o desconforto do paciente. A distinção das três zonas prostáticas, bem como a visualização da cápsula glandular do feixe vásculo-nervoso e das vesículas seminais são muito mais fácil de serem identificadas nas RM de 3,0 T, bem como as patologias quando presentes. A Resolução espectral duplicou em comparação com a RM de 1.5T facilitando a visualização de pequenas lesões na zona periférica. (figura 01, 02, 03, 04)

Na ressonância magnética de 3.0T com contraste dinâmico, o aumento SNR pode ser utilizado para melhorar a resolução temporal, melhorando as medições de dinâmicas das concentrações dos metabólitos, em especial a Cholina (presente no metabolismo da parede das células) (figura 05)

Nas imagens (T2W) ponderadas em T2, o carcinoma da próstata geralmente aparece como uma área de baixa intensidade do sinal, permitindo definir se existe ou não invasão capsular. Contudo, além do carcinoma, o diagnóstico diferencial de uma área de baixa intensidade de sinal inclui pós-biópsia, hemorragia, prostatite crônica, hiperplasia prostática benigna, radiação, cicatrizes e calcificações.

Para contornar estes problemas e ter uma melhoria no diagnóstico utiliza-se a parametrização do parênquima glandular que tem contribuído muito para o diagnostico diferencial entre as lesões tumorais e as outras patologias. Esta parametrização é mais bem elaborada quando são realizadas nas RM de 3,0T por ter um campo magnético mais elevado e mais homogêneo. (figuras 06, 07).

O estudo de RM com equipamentos de 3.0T da próstata abre um campo de informações mais detalhado das lesões, que serão necessárias para a escolha do tratamento mais eficiente.